• Gabriela Braun

Como sobrevivi aos ataques de birra


Quando eu estava grávida do meu filho presenciei uma cena no mercado que sempre me traz lembranças e ensinamentos. Uma mãe com o filho pequeno, cerca de quatro anos de idade, que estava dentro do carrinho de compras. Estavam no corredor de doces, onde eu também estava. O menino pediu uma caixa de chocolates e a mãe disse não. Ele insistiu, ela novamente negou. Esse foi o botão de “start” da cena que veio a seguir. Uma sucessão de gritos, pulos e exigências para obter o chocolate. A mãe tentou acalma-lo, sem sucesso e em seguida, começou a colocar dezenas de caixas de chocolate dentro do carrinho para que a criança parasse de gritar.

Varias pessoas observaram aquele episódio e, imagino que, assim como eu, julgaram aquela mãe. Lembro-me de ter pensado: “Meu Deus, que horror! Que tipo de educação essa criança esta recebendo?” Confesso, durante muito tempo pensei exatamente dessa forma. Até o dia de enfrentar o primeiro ataque de birra do meu filho. Todos os meus super poderes de mãe desapareceram. Sabe o que restou? A vergonha de um dia ter julgado aquela e tantas outras mães. Talvez esse seja o maior ensinamento da maternidade: não julgar. E é preciso exercitar todos os dias porque somos criados na cultura do julgamento.

Estávamos no shopping, eu, meu marido e o Rafael. Fui dar uma volta com o Rafa para distraí-lo, pois meu marido estava numa fila para comprar ingressos para um show. Fomos então, em uma livraria, na parte infantil. Rafael logo pegou alguns DVDs da galinha pintadinha e por ali ficou se distraindo, entre livros e filmes. Na hora de ir embora ele não quis largar o DVD, logo que tentei tirar começou a gritar e se debater. Várias pessoas começaram a me olhar. Com muita vergonha, rezando para que ele parasse logo com aquilo, deixei que ficasse com o DVD e me dirigi para a fila do caixa. Detalhe: tínhamos um filme igualzinho àquele em casa. Na fila fiquei pensando: não esta certo isso, porque vou comprar outro DVD igual ao que já temos? Tirei, gentilmente, o filme das pequenas mãozinhas que o seguravam, o abracei e disse no seu ouvido: a mamãe te ama, mas precisamos ir embora e fui saindo da livraria enquanto ele gritava sem parar. Levei vários minutos para que ele se acalmasse enquanto caminhávamos pelo shopping.

Lembro que chegamos em casa aquele dia e eu tinha uma sensação: esgotamento. Recordei o olhar daquela mãe no mercado e vi a mesma coisa, cansaço, esgotamento. Talvez fosse apenas o meu sentimento se misturando com as lembranças que eu tinha dela, mas uma coisa ficou muito clara para mim: fazemos o melhor que podemos com as condições que temos no momento da birra. Julgar não ajuda, atrapalha! Sentimo-nos pressionadas pelo olhar do outro. Outra vez, no mercado, Rafael teve mais um ataque de birra. Enquanto eu tentava controlá-lo (entre tapas e gritos dele) uma senhora parou do meu lado e ficou observando. Olhei pra ela como que se dissesse: posso ajudar? E ela, muito tranquila, me disse: Quero ver como você irá educá-lo. Nunca me senti tão grata a alguém. Aquela senhora, sem saber, me fez perceber que o me atrapalhava nos momentos em que precisava lidar com as birras do Rafael em público era a minha preocupação com os julgamentos que as outras pessoas pudessem estar fazendo sobre o tipo de educação que eu estava dando ao meu filho. Quando me libertei desse olhar externo, pude olhar para o que interessava de verdade: meu filho. A partir daí, tudo ficou mais fácil. Continua sendo desafiador, mas hoje me sinto mais preparada para lidar com as birras. Porque olho para ele e entendo que somos apenas nós ali. O resto é o resto.


Mas Gabriela, você não fica com vergonha? É o que algumas mães me perguntam. Às vezes sim, então faço um esforço para lembrar o que realmente importa naquele momento. Mas como controlar a criança, vocês podem estar se perguntando. Tem técnica? Tem, muitas. No entanto, eu gostaria de te desafiar questionando: como você gostaria de agir com o seu filho? O que você poderia ter no lugar do que tem hoje? Se isso fizer sentido pra você e sua família, gostaria de treinar? Não tem fórmula mágica, tem aquilo que é adequado para sua família.

Quer saber mais sobre como agir nesses casos, como você pode ajudar seu filho a se sentir seguro e confiante para lidar com suas emoções? Envia um whatsapp para (51) 98179-3735 ou e-mail para gabibraun@maternidadealemdoinfinito.com.br e vamos juntas elaborar um plano de ação!

Beijo grande!

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