• Gabriela Braun

Você conhece seu filho?


Fiz uma live sobre Método Montessoriano em parceria com uma amiga que é arquiteta e trabalha muito com ele em seus projetos. Foi muito bacana porque refletimos sobre vários aspectos desse método que vai muito além de alguns móveis dentro do quarto da criança. Gostaria de compartilhar um pouco do que debatemos na live aqui. O Método Montessoriano é um sistema pedagógico (eu gosto de pensar que é uma filosofia de vida) desenvolvido por Maria Montessori a partir da observação do comportamento da criança. Tem como princípios o respeito ao ritmo de aprendizagem e amadurecimento de cada criança, no seu ritmo e tempo. Os adultos atuam como “guias” observando os comportamentos e identificando em que fase do desenvolvimento a criança se encontra.

É possível falar e escrever muitas coisas sobre esse método. Eu gostaria de resaltar aqui duas palavras que são abordadas nele e que, para mim, são o que guiam todo sistema: observação e respeito. Como pais, precisamos ser verdadeiros detetives dos nossos filhos. Perceber o que os acalma, o que os agitam, do que eles gostam, do que não gostam... E para isso é necessário ter presença plena e escuta ativa. Precisamos dedicar tempo para, simplesmente, observa-los. Sabe por que isso é mágico? Porque quando os conhecemos e sabemos, por exemplo, o que os acalma, é possível propor fazer algo nesse sentido quando estão mais agitados e precisamos deles calmos. Ao invés de pedir que parem de fazer o que estão fazendo, propomos algo que sabemos que eles gostam. Você passa a usar da “sedução” ao invés do autoritarismo, da exigência. Você envolve a criança e ela passa a sentir que faz parte do processo de decisão e sente-se respeitada.

Educar é construir um caminho juntos – pais e filhos. Quando entendemos que nossos filhos são capazes de ensinar tanto quanto de aprender passamos a ver a educação como uma troca, onde um olha para o outro sabendo que com uma mão ensinamos e com a outra aprendemos. Maria Montessori tem um frase muito inspiradora sobre educação. Ela nos diz que falamos muito em paz, mas educamos nossas crianças para a guerra. Porque quando ensinamos nossos filhos através da competição estamos dando a eles ensinamentos de guerra. O principio mais básico de uma guerra é a competição. Para termos paz, precisamos educar nossos filhos através da cooperação. Você já parou para pensar nisso? Estimulamos nossos filhos a ser sempre o número um, olhamos para eles e queremos comparar seus resultados com os de outras crianças. Com isso, vamos plantando sementinhas dentro deles que buscam a competição como forma de viver. Algumas vezes isso pode ser bom, outras nem tanto... é preciso aprender a trabalhar em equipe e para isso precisamos de cooperação. Falando ainda um pouquinho sobre comparação, Maria Montessori fala que vivemos comparando nossos filhos e com isso, deixamos de respeitar o tempo deles. Inconscientemente apressamos suas fases de vida, atropelando suas experiências. Por isso, a observação da criança é tão importante no método Montessoriano, porque a partir dela conseguimos saber qual o momento certo de propor o desfralde o deixar a chupeta, o aprender a andar, aprender a ler, escrever... Entender quais são os momentos sensíveis da criança (momentos em que a criança atinge novas habilidades com mais facilidade) nos dará pistas de como podemos ajudar nossos filhos a desenvolver novas competências no seu tempo.

Não é preciso propor mil e uma atividades para os pequenos. Por vezes vejo crianças com uma agenda tão cheia que parecem ser mini adultos. Preenchemos cada minuto do dia das crianças com alguma atividade. Levamos para escola, natação, futebol, balé, judô, inglês... E esquecemo-nos


de deixar tempo para algo muito importante: o ócio. O tempo do brincar, de sentir tédio e a partir desse tédio ver a criatividade aflorar para criar algo novo. Nesse sentido, Maria Montessori fala em termos um ambiente preparado para as crianças em cada etapa das suas vidas. O que é ter um ambiente preparado? É ter espaços que respeitem o tamanho e as capacidades dos nossos filhos. Sobre isso, eu gostaria de te propor um pequeno desafio. Eu não sei como sua casa esta organizada, mas eu gostaria que você entrasse no quarto ou no espaço onde seu filho costuma ficar mais tempo, onde estão seus brinquedos, sua cama, enfim, seu espaço, de joelhos. Procure entrar no local na altura que a sua criança tem hoje. E tente, então, se colocar no lugar dela. Veja como ela enxerga esse espaço, procure sentir o que ela sente. Ela consegue subir na cama sozinha? Consegue descer? Consegue mexer nas suas roupas? E nos seus brinquedos e livros? Ela consegue ir ao banheiro sozinha? Consegue sentar sozinha na cadeira para comer? Ou ela precisa de ajuda para fazer quase todas essas coisas? Quando não damos a elas a chance de atenderem as suas necessidades sozinhas estamos gerando independência, responsabilidade e autonomia, duas habilidades que serão muito importantes na sua jornada. Além disso, quando adaptamos o espaço para as suas necessidades estamos demonstrando respeito. Mostramos a elas que aquele espaço também lhe pertence e que ela faz parte da família. As crianças, assim como os adultos, precisam sentir que pertencem a um lugar, um grupo, uma família. Por isso é importante deixarmos que, desde cedo, elas ocupem seu espaço na família, na escola.

Esse é o primeiro texto de uma série de três. No próximo falarei sobre a relação com os brinquedos e como podemos usa-los para desenvolver e aprimorar a criatividade das crianças. E por aí, vocês já conheciam o método? Utilizam na sua casa?

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