• Gabriela Braun

Como mudamos?

Então vamos lá! Vamos falar sobre o que acontece dentro dos nossos lares, sobre que tipo de mensagem estamos passando para nossos filhos. No texto anterior, intitulado “A Culpa é de quem” eu falei um pouco sobre o que acontece quando resolvemos envolver os homens nas tarefas da casa. Se você ainda não leu, sugiro que dedique cinco minutos a mais e volte lá no meu blog para ler.


Quando os homens dizem as suas companheiras que se elas precisam de ajuda, basta pedir, ignoram o quanto de trabalho temos para elaborar o pedido de ajuda. Porque não basta, simplesmente, pedir. É preciso planejar como se dará essa divisão de tarefas dentro da casa, em que momento pedir e, às vezes, é preciso ensinar. A cartunista Emma, escreve em sua charge que “quando nossos companheiros nos pedem para mostrar o que fazer é porque eles não querem se responsabilizar por uma parte dessa carga mental.” E isso não tem absolutamente nada de biológico. Mulheres não nascem com o gene da organização do lar. Mas nascemos em uma sociedade que, desde muito cedo, coloca em nossas mãos bonecas, panelinhas, vassourinhas coloridas e tudo mais que compõe uma casa. Se os meninos quiserem brincar com esses brinquedos, no inicio até achamos engraçadinho, mas logo vamos substituindo por bolas, carrinhos, super heróis e o que mais você esteja imaginando aí.


Passamos a ver, então, nossas mães sendo as responsáveis pela organização do lar, enquanto nossos pais “ajudam”. E, como eu sempre digo, muito mais do que aquilo que você falar para o seu filho, será aquilo que você irá lhe mostrar. Agora vem a pergunta que deve estar ardendo na sua mente. Se são as mulheres, em sua maioria, que educam os filhos homens, porque não os educamos de forma diferente, para que passem a agir diferente, aceitando e reconhecendo como sendo sua responsabilidade, em conjunto com as mulheres, a gestão de uma casa?





E é exatamente aqui que esta o X da questão. Somos nós que educamos nossos filhos. Se tivermos consciência disso, podemos mudar esse modelo que esta entranhado em nossa sociedade. Por que não fazemos? Muitas mulheres fazem! Compraram essa ideia e seguem firme nas suas jornadas. E as que não fazem é por que não concordam? Acredito que não. Acontece que quando queremos mudar algo, nem sempre prevemos o que esta a nossa volta. Presta atenção no exemplo.


Com a entrada da mulher no mercado de trabalho ampliamos a quantidade de papeis que assumimos. Somos mulher, filha, vizinha, esposa, mãe, dona de casa, empresaria, trabalhadora... Quando educamos nossos filhos, vestimos um pedacinho de cada um desses papeis. Então dizemos a eles que a organização da casa é responsabilidade de todos, inclusive deles e que eles devem aprender a serem responsáveis por manter suas coisas em ordem, colaborar na limpeza, etc. Tudo certo até ai. Só que nossos companheiros não foram educados desse jeito e precisamos construir com eles isso. Quando fazemos isso, encontramos, por vezes, resistência. Ainda precisamos seguir planejando toda rotina do lar: almoços, idas ao médico, escola, horário de dormir, divisão de tarefas. Gente, isso dá um trabalho danado!


Você fez toda programação. Essa semana é a vez do seu companheiro lavar a louça. Ele lava super confiante e no final diz, todo orgulhoso, que cumpriu a sua parte. Você fica feliz. A pia ficou toda molhada, a louça lavada não foi seca nem guardada, mas tudo bem. Temos que ir mudando aos poucos. Então, para evitar brigas e discussões, você vai lá e faz o que faltou, em sua opinião, para ter uma cozinha organizada. Isso acontece uma vez, duas, três... Você chega cansada do trabalho. Mal tem tempo de conversar com os filhos e então pensa assim: não vou perder o pouco de tempo que tenho com a minha família discutindo táticas da organização da casa. É mais rápido e mais fácil eu fazer. E vai lá e faz. Seu companheiro continua fazendo a parte dele, ou seja, aquilo que você pede que ele faça. E você continua com todo o planejamento. Enquanto isso, seus filhos crescem e observam como funciona a dinâmica do lar.


Eu sei, a gente desiste porque cansa! É demais! Eu vivi isso. Deixa eu te contar, brevemente, uma curta experiência minha. Quando Rafael, meu filho, parou de mamar no peito eu e meu marido fizemos um acordo. A partir desse momento ele seria responsável por levantar a noite para dar a mamadeira para o Rafa. Acordo feito, tudo certo! Primeira noite, Rafael começa a chorar. O pai não acorda. Eu preciso cutuca-lo e dizer: ele acordou! Vagarosamente ele levanta e vai até a cozinha preparar a mamadeira. Enquanto isso, a criança segue chorando. Eu fico deitada na cama, com uma profunda irritação por estar ouvindo o choro do meu filho. Minutos depois, meu marido vem no quarto e me pergunta: são quantas colheres de leite em pó mesmo? Booooommmmmm


Eu levanto furiosa da cama, e digo: volta a dormir e deixa que eu faço! Na hora, o que passou pela minha cabeça foi: meu objetivo ao pedir para meu marido fazer a mamadeira durante a noite era poder dormir. Eu não consegui dormir, porque Rafael chorava, ele confuso na madrugada não lembrava quantas colheres de leite eram... Foi muito mais fácil levantar e fazer tudo rápido, colocar a criança para dormir e voltar para a cama, porque cansaço era tudo o que eu sentia.


Entende o ponto? Mudar uma perspectiva pode ser trabalhoso no inicio. E é aqui que estamos desistindo. Desistimos de disciplinar nossos filhos com mais “amor” porque pode ser trabalhoso no inicio. Desistimos de deixar que os pais cumpram seus papeis de pais e companheiros de jornada porque dá trabalho abrir espaço para o novo. E as vezes vamos precisar de paciência para ensinar e aceitar que o outro faça do jeito dele e não do jeito que você espera que ele faça.


Março é o mês da mulher. E foi exatamente por isso que eu decidi propor esse debate no mês da mulher. Porque precisamos começar a mudar o nosso mindset de que os homens precisam aprender para o mindset de vou permitir que eles aprendam e dar o espaço que merecem ter. Vamos falar muito sobre isso ainda.


Me conta se faz sentido pra você?


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