• Gabriela Braun

“Eu apanhei e me sai bem.”

Essa é uma das frases que mais escuto de pais e cuidadores que acreditam que uma palmada de vez em quando é bom para impor limites e educar as crianças. É sobre isso que quero debater com você neste texto. E venho fazer esse debate desprovida de qualquer julgamento. Eu, inclusive, já fui uma mãe que acreditou que a palmada poderia ser uma forma de colocar limites e educar. Sempre digo que, na maioria das vezes, todas as tentativas de disciplinar filhos conduzidas pelos pais são feitas com muito amor. Porque queremos que nossos filhos sejam pessoas boas e responsáveis, capazes de lidar com o mundo em que vivemos.


Para refletir sobre a frase eu apanhei e me sai bem, quero propor outra frase: “E se fosse possível ter se saído melhor do bem?” Todos nós, temos nossas feridas emocionais da nossa infância. Talvez você não lembre, tenha deixado elas de lado, em um cantinho qualquer do seu inconsciente, buscando superar as dificuldades e desacolhimentos que viveu. Ainda sim, elas estão por aí. E isso não quer dizer que você não foi amada (o) pelos seus pais. Quer dizer apenas que esta na hora de começar a refletir, de verdade, sobre o que nossos filhos vivem na infância.




Uma pesquisa realizada em 1990, nos EUA, com estudantes universitários, revelou que 93% dos entrevistados apanharam quando crianças. Na Suécia, por exemplo, apenas 11% dos pais confessam bater nos filhos, uma estatística que faz com que muitos acreditem ter ligação com o baixo índice de violência nesse país. *


Os EUA é um dos países onde são detectados mais casos de adolescentes que buscam a violência para lidar com os seus conflitos. A Suécia é tida como o país onde as pessoas são mais felizes. Esta na hora de começarmos a refletir sobre os métodos que estamos utilizando para educar nossas crianças. A comunidade cientifica vem estudando a relação entre palmadas e castigos na infância e a repercussão disso na vida adulta. Algumas conclusões são bastante assustadoras. Um dos comportamentos identificados foi o uso abusivo de álcool e drogas na vida adulta e, em alguns casos, até mesmo o suicídio. O mais comum é crianças que apanharam na infância, quando adultos, reproduzirem esse modelo com seus filhos.


Um estudo realizado em 2010 pelo Núcleo de Estudos da Violência da Usp (NEV) mostrou que, no Brasil 20% dos entrevistas haviam sido punidos constantemente na infância e 70% dos entrevistados haviam apanhado pelo menos uma vez. **


Os castigos e as palmadas podem parecer eficazes no curto prazo, levando a criança a interromper o comportamento desafiador que ela estava apresentando. Mas em longo prazo não funciona, porque não ensina à criança que aquele comportamento é errado. A criança que é punida para ser disciplina apresenta problemas com a autoestima, sentimento de inadequação e não pertencimento. É nesse momento que, talvez, devêssemos refletir sobre a frase da criadora do método da disciplina positiva, Jane Nelsen: “De onde tiramos a ideia absurda de que para fazer as crianças agirem melhor precisamos antes fazê-las se sentir piores.”


Para encontrar uma alternativa aos castigos e palmadas você precisa se conectar com a criança que você foi. Precisa aprender a ter empatia, escuta ativa, olhar atento ao seu filho. Tudo isso é possível de aprender e desenvolver, desde que esse seja o seu desejo. Existe um caminho do meio entre a punição e a permissividade para educarmos nossos filhos.

Eu posso te ajudar com isso.



* Trecho do livro Inteligência Emocional e a arte de educar nossos filhos, Gottman John.

** https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2018/03/castigos-fisicos-na-infancia-estao-ligados-a-transtornos-na-fase-adulta.shtml



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