• Gabriela Braun

Infância e tecnologia


Antes de começar a escrever este texto fiquei pensando no titulo. Escrevo infância X tecnologia ou infância e tecnologia? Escolho a segunda opção, porque acredito que a tecnologia, quando usada com sabedoria, nos permitiu evoluir muito. Mas vamos falar um pouquinho sobre o que anda acontecendo nas famílias com filhos pequenos e como a tecnologia tem sido usada.

Quando o Rafa era pequeno, logo que iniciou a alimentação sólida, junto começou a perda de peso. Ele era uma criança super-resistente a comer. Uma das formas que, na época eu encontrei para fazê-lo comer era colocar no tablet os vídeos da galinha pintadinha. Sim gente, eu já fui essa mãe! E tá tudo bem, porque o importante na vida é a gente saber lidar com os erros como uma forma de aprendizado. No inicio, o vídeo resolveu todos os meus problemas. Ele ficava com os olhos vidrados na tela e eu ia socando a comida dentro da boca. Objetivo de alimentar a cria realizado com sucesso!

Com o tempo, percebi que Rafael sequer percebia o que estava comendo. Quando resolvi tirar a tela na hora na alimentação foi como se eu estivesse tirando drogas de um viciado. Sim, houve gritos, choro, se jogar no chão, pratos com a comida intocada sendo levados de volta para a cozinha. O que foi preciso para que eu conseguisse tirar a tela durante as refeições? Paciência, equilíbrio e muita consistência. Sem isso, com certeza, eu teria sucumbido.

Eu não nasci paciente, aliás, foi o contrario disso. Paciência, consistência e equilíbrio a gente desenvolve, aprende, conquista. Só que não é sobre isso que iremos falar hoje. Quero te falar o que acontece com nossas crianças enquanto elas estão hipnotizadas na frente das telas (seja de tablets, vídeo-games, smartphones). O Brasil é o segundo país onde se passa mais tempo em frente das telas, em média 4 horas e 48 minutos, segundo uma pesquisa realizada pela empresa de estatísticas Statista em 2016. As crianças são reflexos dos comportamentos adultos.


Analise quantas horas você passa em frente as telas e terá, talvez, uma ideia de quanto seu filho usa a tecnologia. E quais os efeitos disso no corpo das crianças e adolescentes?

- Surdez temporária ou definitiva; - Síndrome do olho seco; - Dores nos dedos e articulações; - Uso prolongado de redes sociais pode interferir na auto estima; - Noite de sono prejudicada; - Dores nas costas; - Síndrome do pensamento acelerado.



Assustador não é? E como lidar com isso? A palavra chave está na conexão. Precisamos encontrar formas de nos conectarmos com nossos filhos não apenas emocionalmente. Precisamos nos conectar com eles na vida real. Ter tempo para estar presente, com presença plena, escuta ativa, longe de distrações que possam nos tirar o foco do momento presente. Organize programas em família, passeios ao ar livre pratiquem esportes com as crianças, faça a

noite dos jogos, dance, conte histórias, leiam juntos. Interajam. São esses momentos que ficarão gravados na memória das crianças. Viva! Crie histórias para serem vividas.

Talvez você esteja pensando: Ok, e como faz pra ela comer quando não quer? O que faz pra distrair quando eu preciso fazer algo? Seja criativo. Inove. Invente formas nos pratos das crianças, envolva ela na hora de escolher quais alimentos serão comprados, na hora de cozinhar, desenhe, pinte... Permita que seu filho sinta tédio. São nesses momentos em que a criatividade é aflorada.

Então devo excluir a tecnologia da vida das crianças? Não. Isso seria bastante difícil no mundo em que vivemos. Além disso, a tecnologia possui muitas coisas boas. É possível conhecer o mundo hoje através da tecnologia! Só que precisamos aprender a usá-la. Mais do que isso, precisamos ter maturidade para ensinar nossos filhos a usarem. E isso, vem através do exemplo!

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