• Gabriela Braun

Quando nos tornamos mães


Que a maternidade transforma uma mulher todas sabemos. Mas, a partir de que momento essa transformação inicia? Na gravidez? Quando parimos? Quando tempos a criança nos braços pela primeira vez?


Você já parou para pensar sobre isso?


Eu quis ser mãe desde muito cedo. Tinha a certeza de que teria muitos filhos. Então posso afirmar para vocês que a maternidade fez parte da minha história muito antes que eu tivesse consciência disso. Minha gravidez foi muito mais do que planejada. Foi pensada e repensada. Foi com muita insistência e persistência porque não me tornar mãe nunca fez parte dos meus planos.


Durante a gravidez, com várias alterações hormonais e físicas, não consegui me enxergar mãe. Eu lia sobre conversar com o bebe ainda na barriga, mas para mim, aquilo era muito estranho.





Quando Rafael nasceu, eu olhava para ele e não me enxergava mãe.


Era um turbilhão de emoções ao mesmo tempo e um medo imenso de não dar conta daquilo que eu mais havia desejado na vida: ser mãe. O medo então nos torna mães? O medo da perda, de fazer algo errado, de não saber lidar com o choro? Pode ser. No entanto, acredito que, o que de fato nos transforma em mães, é o momento em que realizamos a conexão mãe-filho. Para algumas, isso acontece durante a gravidez, para outras logo que a criança nasce. Para mim, aconteceu cerca de um mês após o Rafael ter nascido.

Foi um primeiro mês difícil. Durante a gestação eu tinha muitas expectativas sobre como seria após seu nascimento. Foi tudo muito diferente. Eu ouvia falar sobre a falta de sono, mas não tinha dimensão de como seria isso. E foi nesse primeiro mês que eu fui posta à prova sobre muitas das minhas convicções. Eu já não tinha certeza de praticamente nada, a não ser que precisava manter vivo aquele pequeno ser que eu carregava nos braços.

Eu tive todo suporte que uma mulher pode ter em termos de assistência física e, na medida do possível, psicológica. Mas ainda assim, não me sentia mãe. Eu não me reconhecia. Entrava no piloto automático e começava a acreditar que ser mãe era apenas amamentar, trocar fraldas, dar banho, fazer arrotar. Mas não tinha nada de encanto nisso. E talvez por isso, fosse tão difícil para mim encontrar um significado naquilo tudo.


Até uma certa noite, quando tudo mudou e, posso afirmar com toda certeza, nessa noite me tornei MÃE.


Eu estava fazendo mais uma rodada de mamadas da madrugada. Rafael mamava a cada duas horas, como um reloginho. A cada final de mamada era uma troca de fraldas e a espera pelo arroto. As madrugadas eram solitárias, apenas eu e ele com uma luz fraca de um abajur. Eu tinha por habito, colocar ele sobre as minhas pernas (como na imagem) até que ele pegasse no sono novamente. Nessa noite, como por um milagre, Rafael me olhou pela primeira vez, como se me dissesse: mãe! E, nessa fração de segundos que o olhar sustentou, eu me vi como sua mãe. Lembro como se fosse hoje, nessa noite eu não tive sono, não tive irritação por não poder dormir, desespero pelo choro. Só tive paz, uma paz imensa que parecia me libertar de todos os medos e que me fez acreditar que agora eu havia me tornado mãe de verdade.


Cada mulher tem a sua forma de se transformar em mãe.


A minha pergunta para você é: você sabe quando isso aconteceu contigo? Ou o turbilhão que vivemos após a chegada do bebê tomou conta de você e foi seguindo o “script” da maternidade? Afinal, o que significa de fato nos reconhecermos como mães? Isso é de fato importante?


Eu acredito que o autoconhecimento é o que nos dá ferramentas para sermos aquilo que viemos ser nesse mundo. Se nos conhecemos, entendemos nossas angustias, nossos medos e o que de fato nos faz acordar todas as manhãs passamos a viver de propósito e não apenas seguindo o fluxo da vida. Se compreendemos quando de fato nos tornamos mães, passamos a ter o compromisso, não mais de apenas fazer aquilo que nos orientam a fazer com as crianças, mas de buscar aquilo que de fato será melhor para ela e para nós mesmas. Passamos a olhar para nossos filhos e compreender que ser mãe nos dá o direito de dizer o que é melhor para eles, mas também nos dá o dever de enxergamos além, de olharmos a essência deles e qual no nosso papel na sua jornada. Isso faz sentido para você?


Não é possível curarmos ninguém se não estamos curados. Não podemos mudar ninguém, a não ser nós mesmos. Precisamos aprender a ouvir mais nossos filhos. Ouvir com o coração. A olhar para eles e compreende-los na sua essência. Mas isso, só é possível se conhecemos a nós mesmos.



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