• Gabriela Braun

Quando o medo vem.

Outro dia tive um pesadelo. Sempre que faço mudanças estratégicas na minha vida ou quando estou muito preocupada com algo costumo ter sonhos ruins. O mais incrível dos meus pesadelos é que acordo no meio deles, às vezes levanto, bebo água e quando pego no sono de novo volto a sonhar exatamente onde parei. Isso só acontece nos pesadelos, nunca nos sonhos bons.

E por que estou contando isso pra você? Porque meu sonho teve a ver com o momento que estamos vivendo. Vou relatar o sonho e se for pai ou mãe talvez compreenda o que senti. Eu estava em um ônibus com meu filho de anos. Estávamos sentados e tinha sobre minhas pernas a mochila do Rafa e seus tênis. De repente, o ônibus parou e abriu as portas em uma grande Avenida de Porto Alegre. Rafael levantou e desceu correndo. Eu saí atrás dele muito depressa, mas na hora que fui descer as portas do ônibus se fecharam e logo ele começou a andar. Eu gritava desesperada, para o motorista parar e abrir as portas porque meu filho pequeno estava sozinho em uma grande avenida e alguém poderia pegá-lo. E foi com essa sensação que eu acordei. Fiquei na cama um tempo pensando sobre aquilo que eu tinha vivido no sonho enquanto acalmava o coração.



O medo te ter uma criança de anos andado sozinha em uma grande avenida é devastador. Mas não foi isso o que mais me causou pavor. Meu maior medo era que Rafael fosse levado por alguém e que nunca mais eu o visse. Então fiquei refletindo sobre o que se passa no mundo. Pessoas que roubam crianças, adolescentes que entram armados em escolas, ameaças de bombas e atentados em escolas, universidades, cinemas.

A cada ato de violência perdemos um pouco da nossa humanidade. E esta mais do que na hora de encontrá-la de novo. Falamos em parto humanizado, estratégias para humanização das relações... Quando ouço isso me questiono no que nos transformamos? E aonde chegaremos? Por isso, esse texto de hoje é para te convidar a refletir sobre qual a sua responsabilidade na transformação do mundo. O que você pode fazer, hoje, todos os dias, para que tenhamos mais abraços sendo distribuídos do que tapas, mais palavras de aconchego e empatia do que agressões verbais, mais poemas do que armas. Qual o seu papel nesse processo?

Eu, de verdade, acredito que, enquanto pais temos um papel essencial na formação de pessoas capazes de abraçar ao invés de empurrar, de acolher ao invés de gritar, de ouvir ao invés de falar. E isso passa pelo nosso exemplo, pela nossa capacidade de ter empatia pelo outro. Empatia se sente, se vive, se ensina. Sim, eu quero um mundo onde eu acorde assustada a noite porque tive um pesadelo com meu filho descendo sozinho do ônibus e correndo o risco de ser atropelado. Mas não quero um mundo o meu maior medo é que, ao estar sozinho, meu filho possa ser roubado.




Algumas pessoas me dizem que isso é utopia. Eu penso que não. Quando compreendi que não dependo do outro para fazer a minha parte, deixei de olhar para o lado e passei a prestar atenção naquilo que estava ao meu alcance realizar. Existem milhares de formas de educar uma criança para um mundo melhor. Eu escolhi o amor. Porque acredito que quando nos sentimos bem, agimos melhor. Topa vir comigo nessa jornada?

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