• Gabriela Braun

Quando o pai não é pai?

Conversando com uma amiga ela me relatava sobre sua tristeza pela não participação do marido na educação do filho pré adolescente deles. Mais do que triste, ela estava cansada. Cansada de pedir, cansada de brigar, cansada de se importar. Ao ouvi-la eu senti sua dor. Pensei que, estando no seu lugar, eu estaria me sentindo exatamente igual. Porque educar um filho sozinha é uma tarefa dura e exaustiva. Precisamos o tempo todo pensar e repensar nossos comportamentos e estratégias para buscar sempre o melhor resultado. Por isso é importante que pai e mãe estejam sempre conversando e se apoiando.


Depois de ouvir minha amiga e sentir sua dor eu sugeri que ela abrisse espaço para que o marido agisse como pai. Porque sempre que ele falhava (na sua percepção) ela estava lá para dar apoio ao filho. Se ele não se preocupava com as tarefas escolares, lá ia ela ajudar o filho. Se ele não se preocupava com a quantidade de horas que o filho passava na frente do vídeo game ou do celular, lá ia ela colocar limites. E fazer isso com um pré adolescente é uma tarefa bastante exaustiva.

Então disse a ela que deixasse de agir. Ele não vai fazer, ela me disse se referindo ao marido. É nesse momento que precisamos acalmar nosso coração e dar um voto de confiança para aquela pessoa que escolhemos dividir a criação de um filho. Precisamos permitir, isso mesmo, permitir que o pai assuma seu papel de pai. Porque alguns homens foram criando em um sistema onde a mulher era a responsável por pensar todo planejamento do lar e da educação dos filhos, enquanto os homens eram os provedores financeiros da casa. São anos de construção de identidade nesse modelo. E por mais que eles tenham um discurso de participação, na pratica o que vemos é o modelo instituído sendo implementado.


Como mudar isso? Com muita conversa franca, escuta atenda para as necessidades de um e outro do casal e disposição de mudar. Sem isso, eu diria que é praticamente impossível. Se não houver vontade, não há mudança. Por isso, se você vive uma situação semelhante a que relatei aqui, saiba que a mudança passará muito mais por você do que pelo outro. Quando você mudar a sua postura diante do seu marido e do seu filho, sua família mudará. Permita que o pai erre e faça as coisas do seu jeito. Ninguém cuidará do seu filho como você, nem mesmo o pai. Ninguém dará banho nele ou o colocará para dormir como você, nem mesmo o pai. Ninguém estudará com ele como você, nem mesmo o pai. É quando permitimos que os outros façam aquilo que nós fazemos tão bem que abrimos espaço para a mudança. Façam combinados, atuem em parceria. E quando um errar deem risadas juntos e se permitam aprender com o erro. Quando você deixa de tentar impor a sua vontade sobre o outro e se permite ouvir como o outro gostaria de agir em determinada situação, então estão se tornando uma verdadeira equipe de trabalho para a educação dos filhos. E sabe quem ganha no final? A família inteira. Seu filho passa a ter modelo de parceria, respeito, cumplicidade e, principalmente, congruência. Você deixa de ser a pessoa dentro de casa que só pede, reclama e briga. O pai passa a assumir a auto responsabilidade de ser pai.

Topa vir comigo nessa jornada por um mundo com mais conexão familiar, mais participação dos pais na vida dos filhos?

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