• Gabriela Braun

Ser mãe ou ser mulher?

Você já parou para pensar porque uma mulher não precisa responder por que decidiu ser mãe, mas precisa responder por que decidiu não ser? Isso acontece porque temos instituído culturalmente que toda mulher nasceu para ser mãe. E quando o desejo de exercer a maternidade não é latente? Esse é o debate que quero com você hoje.


Olhamos para a maternidade como um manto que vem para cobrir e completar a vida de uma mulher. E que sem ele, ela definitivamente não conseguirá ser feliz e realizada. Naturalmente vestimos esse manto que é lindo, mas também pode ser pesado em alguns momentos. Hoje, já se fala mais abertamente sobre as dificuldades de tornar-se mãe. Gisele Bundchen, por exemplo, relatou em uma entrevista que passou a trabalhar 30% do que trabalhava antes após o nascimento dos seus filhos. Foi preciso reorganizar a rotina e repensar prioridades. Quando fazemos isso consciente das escolhas que estamos realizando fica mais fácil de lidar com as possíveis frustrações que virão. E quando não temos nem ideia das mudanças que surgirão após o nascimento do primeiro filho?


Eu vivi isso. Tinha na minha cabeça uma historia traçada, de um conto de fadas. Imaginava algumas noites em claro, alguns choros insistentes, mas nada nem perto do que vivi. Foi um choque de realidade que mudou toda a minha percepção de vida. Foi doloroso e solitário. Ter encontrado acolhimento nesse momento foi que fez toda diferença na forma como eu lidei com a solidão e a dor. Eu só consegui lidar e superar tudo isso quando consegui externar aquilo que estava sentindo. Não foi fácil, porque vivemos em uma sociedade de mulheres que precisam ser o tempo todo o protótipo da mulher maravilha.


Por isso, se permita falar sobre o que te dói. Encontre uma rede de apoio que te acolha nisso. Hoje em dia, já existem muitos profissionais que trabalham com essa área do acolhimento materno, fundamental para que possamos seguir em frente na nossa maternidade sem abrir mão de ser mulher.


Algumas mulheres não desejam mudar a sua rotina, sua vida. Não possuem um desejo inato de gerar outra vida e acompanhá-la. Perceba que existe uma diferença enorme entre ser mãe e gerar uma vida. Mas esse é um tema para um próximo texto. Então, quando alguém que você conhece falar que não tem o desejo da maternidade, entenda que esta tudo bem, que existe milhares de outros jeitos de uma mulher se realizar como mulher.


Se você escolheu ser mãe, saiba que pode escolher ser mulher também. Aprenda a exercer esses papeis com carinho, olhando para dentro de você e acolhendo os sentimentos antagônicos que por vezes surgem. Busque autoconhecimento para ter paz interior e vivenciar cada papel de maneira plena.


Então pensa um pouquinho e responda para você mesma: como eu lido com os papeis que exerço na minha vida? Sinto-me frustrada por não conseguir fazer tudo o que fazia antes da chegada do filho? Olho para minhas amigas e sinto que estou em outro universo? O que posso fazer para lidar com isso e me sentir melhor?


Se for preciso, busque ajuda! Às vezes é preciso um olhar de fora, que segure nossa mão e ajude a encontrar as respostas que estão dentro de você para todas as suas angustias.


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